O Prêmio Anônimos do Carnaval visitou o barracão da G.R.E.S. Unidos do Viradouro e foi recebido pelos gentilíssimos Tarcísio Zanon e Guga Melo, que fizeram questão de apresentar todos os setores e profissionais da vermelho e branco de Niterói.
O enredo Arroboboi Dangbé promete trazer uma história jamais vista na Marquês de Sapucaí e as tradicionais casas de Axé Jeje Mahi, de Salvador e do Recôncavo baiano (Cachoeira) se farão muito bem representadas com uma leitura respeitosa e de valorização à história do surgimento do Jeje Mahi na Bahia.
Partindo da grande cumpridora da missão herdada de seus ancestrais, Sinhá Ludovina Pessoa, filha do Vódùn Gù, conhecido como Gù Rainha, fundamenta os axés destinados a Vódùn Sògbò (Zoogbodo Bogum Male Rundo) e a Gbèsén (Zogbodo Male Bogum Seja Unde) e essa história será contada na avenida a partir de uma ótica que entrelaça o passado e o presente como o rastejar da grande serpente Dàngbé.
A Unidos do Viradouro, vermelho e branco de Niterói, viajou até o tradicional Hùnkpáme do Bogum, para pedir permissões e felizmente o Rei Gbèsén alafiou e deu as devidas bênçãos para que a história seja contada ao mundo através do enredo proposto pelo Carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo Enredista Guga Melo. Diretamente do Benin, antiga Dahomé, a grande serpente conquista terras além dos limites daquele país e, ao vir parar no Brasil, trás consigo a força das mulheres guerreiras e os segredos de seu culto.
Bravamente esses segredos vêm sendo guardados nos Terreiros Zoogodo Bogum Male Rundo e Zogbodo Male Bogum Seja Unde, os primeiros fundamentados por Sinhá Ludovina Pessoa.
É importante falar sobre o respeito às tradições e ao passado, fazendo um paralelo à própria Unidos do Viradouro que mantém o seu primeiro pavilhão nas cores azul e rosa, defendido honrosamente pelo terceiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. No ano de 1972, as cores da escola passaram a ser vermelho e branco e, desde então, essas cores vêm sendo exaltadas na avenida.
Jeje Mahi
O Jeje Mahi é uma nação de candomblé, em que tem a sua língua nativa Fongbe e o seu culto é originário do Benin. No início, o culto era feito apenas por mulheres e com o passar do tempo, os homens passaram a fazer parte.
Falar desse serviço prestado à comunidade do Jeje é falar sobre o resgate à história e à defesa da continuidade de tradições seculares, como a do Jeje Mahi.
O desfile permitirá uma grande viagem, que conduzirá o público a um breve intercâmbio entre Brasil e Benin. E mais que isso, permitirá entender e perceber que o portal se mantém aberto e que a grande “árvore do esquecimento” acabou tendo a função de fortalecer a memória daqueles que foram trazidos sequestrados da terra mãe, para serem escravizados no Brasil. Mesmo com todas as alterações naturais e pessoais, os ensinamentos transmitidos pela oralidade ainda sobrevivem guardados e são transmitidos àqueles que se permitem viver e pertencer ao culto de Dàn.
Não se trata de um desfile de escola de samba, se trata de uma reparação histórica!
Estamos falando de um processo antirracista que a Viradouro estará desenvolvendo na Marquês de Sapucaí. A natureza, as mulheres, o passado e a tradição serão valorizados e enaltecidos nos 75 minutos de desfile.
Última escola a desfilar, na segunda-feira de carnaval, a Viradouro fechará os desfiles de 2024 com a força das Guerreiras Mino e promete emocionar o público com um banho de cultura, de saber e de Axé.
O Prêmio Anônimos do Carnaval agradece a Viradouro por tratar tão bem o seu capital humano e por respeitar e valorizar o meio ambiente, com um plano de sustentabilidade que garante o cumprimento dos três pilares (social, ambiental e econômico), além de um plano de reciclagem eficaz.



